O escultor conhecido como Giba foi condenado a 87 anos e 4 meses de reclusão, além de 1 ano de detenção e 366 dias-multa, pelo Tribunal do Júri de Arapiraca. O julgamento ocorreu nesta terça-feira (25) e é relacionado à morte de quatro pessoas encontradas dentro de um poço em uma propriedade rural onde o réu morava.
As vítimas foram identificadas como Letícia da Silva Santos, de 20 anos; Lucas da Silva Santos, de 15; Joselene de Souza Santos, de 17, namorada de Lucas; e Erick Juan de Lima Silva, de 20, companheiro de Letícia. Segundo a investigação, os quatro foram mortos no dia 13 de abril de 2024.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), Lucas e Erick teriam sido assassinados primeiro. Em seguida, Letícia e Joselene também foram mortas. A acusação sustentou que os crimes foram praticados de forma a dificultar a defesa das vítimas.
Após os assassinatos, os corpos teriam sido escondidos em um poço localizado na propriedade. Eles permaneceram no local até o dia 19 de abril, quando foram encontrados pela polícia. A retirada dos cadáveres contou com o trabalho do Corpo de Bombeiros.
Giba foi preso em flagrante no mesmo dia em que os corpos foram localizados. Durante as buscas na propriedade, foram apreendidas aproximadamente 10 armas de fogo, além de acessórios de uso restrito sem autorização. Os policiais também encontraram animais mantidos em cativeiro, entre eles uma jiboia e uma cobra-píton.
Investigação apontou contradições na versão de legítima defesa
Durante a investigação, o escultor alegou ter agido em legítima defesa. A polícia, porém, afirmou ter reunido elementos que contrariavam essa versão.
Imagens de câmeras de segurança mostraram Letícia e Joselene saindo da propriedade acompanhadas do escultor. As três passaram por uma agência bancária e, posteriormente, por uma pizzaria. Ao retornarem ao imóvel, Lucas e Erick teriam questionado Giba sobre a saída das jovens.
Segundo a investigação, o homem teria ficado alterado durante a discussão. A partir daí, conforme apontado pela acusação, ocorreram os assassinatos.
Outros dois suspeitos são condenados
Além do escultor, outros dois homens foram julgados por participação na ocultação dos cadáveres. Eles foram presos em Sergipe no dia seguinte à prisão de Giba.
Cada um dos dois acusados foi condenado a 1 ano e 6 meses de prisão e 288 dias-multa. Para o Ministério Público de Alagoas, as penas são desproporcionais à gravidade dos fatos.
Por isso, o MPAL informou que irá recorrer das sentenças aplicadas aos dois homens.
Com o julgamento realizado nesta terça-feira, foi encerrada a fase do Tribunal do Júri envolvendo os três acusados. Os recursos apresentados pelo Ministério Público, no entanto, ainda poderão alterar as penas impostas aos dois réus apontados como auxiliares na ocultação dos corpos.





