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Ação com a Ufal promove manejo seguro do peixe-leão nos recifes de Alagoas

A crescente presença do peixe-leão (Pterois volitans), espécie invasora e peçonhenta, no litoral alagoano tem preocupado órgãos ambientais, pescadores e operadores de turismo, que temem prejuízos na pesca, no turismo e na economia local. Diante desse cenário, as equipes dos projetos Meros do Brasil e Corais de Alagoas, coordenados por professores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Unidade Penedo, e estudantes do Programa de Pós-graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos (PPG-Dibict) participaram de uma ação de monitoramento e manejo seguro do peixe-leão. A iniciativa foi mobilizada pelos pescadores sub e guias de pesca esportiva.

No último domingo (11) as equipes realizaram atividades de monitoramento em dois ambientes recifais: o naufrágio histórico André Rebouças, conhecido como Dragão e o recife natural Recanto. No naufrágio, localizado entre 28 e 32 metros de profundidade, foram registrados pelo menos 17 peixes-leão, dos quais três foram removidos durante a ação. Já no Recanto, entre 24 e 27 metros de profundidade, a equipe ampliou o monitoramento científico e registrou um peixe-leão.

A expedição contou com a participação de Rodrigo Ricardo, experiente capitão de pesca esportiva da embarcação Hunter´s, das mergulhadoras Julianna Chaves, Flavia Dabbur e Luana Dabbur, todas da Ecoscuba Centro de Mergulho, e dos integrantes dos projetos Meros do Brasil e Corais de Alagoas: Tiago Albuquerque, Márcio Lima Jr., Marcélio Motta e o professor Cláudio “Buia” Sampaio, dos cursos de Engenharia de Pesca e Licenciatura em Ciências Biológicas da Unidade Penedo da Ufal.

Manejo seguro e conservação dos recifes

Em mergulhos profundos, como esses realizados com participação da Ufal, o manejo do peixe-leão exige além de experiência, cuidados adicionais e equipamentos adequados. Carnívoro e dotado de espinhos capazes de injetar veneno, o peixe-leão pode predar espécies importantes para a pesca, incluindo peixes exclusivos dos recifes brasileiros, comprometendo a biodiversidade recifal.

Os espinhos também representam um risco para pescadores, mergulhadores e banhistas, podendo provocar acidentes extremamente dolorosos. Idosos, crianças e pessoas com comorbidade são mais sensíveis aos acidentes com peixe-leão, exigindo atendimento médico com urgência.

“O manejo seguro é uma das estratégias para reduzir os impactos das espécies invasoras. Através do monitoramento, da remoção realizada por equipes capacitadas e da orientação de pescadores e mergulhadores, os Projetos Corais de Alagoas e Meros do Brasil buscam contribuir para a conservação e a recuperação dos ambientes recifais”, destacou Buia.

Os professores da Unidade Penedo, em parceria com os projetos Meros do Brasil e Corais de Alagoas, reúnem décadas de experiência em monitoramento e manejo de espécies invasoras em ambientes recifais. “Essa experiência motivou um convite recente do Governo do Estado da Bahia para que ministrássemos oficinas de capacitação voltadas a pescadores e operadores de mergulho na Ilha de Itaparica e em Salvador para aproximadamente cem pessoas”, lembrou o professor.

Conservação que gera alimento, emprego e renda

Os recifes alagoanos são estratégicos para a biodiversidade e produção de alimentos de alta qualidade, como peixes, polvos e lagostas, bem como o desenvolvimento do turismo regenerativo. Além de oferecerem oportunidades de lazer, os recifes protegem a costa contra a erosão, sustentam atividades econômicas, geram emprego e renda e contribuem para a segurança alimentar de muitos alagoanos.

Como próximos passos, os pesquisadores da Ufal pretendem reforçar a articulação com colônias de pescadores, operadores de turismo e órgãos públicos municipais, estaduais e federais das áreas da saúde, turismo e meio ambiente para viabilizar as oficinas de manejo seguro do peixe-leão.

“Outra frente de trabalho busca criar um mercado, agregando valor econômico ao peixe-leão via aproveitamento de sua carne, considerada uma iguaria na gastronomia e de sua pele, na produção de biojóias”, adiantou Sampaio sobre as possibilidades planejadas.

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