Um arapiraquense precisou ser internado no Hospital de Emergência do Agreste (HEA) após apresentar sintomas de intoxicação depois de realizar uma refeição em um restaurante localizado na Praça de Alimentação do Partage Shopping Arapiraca. O caso aconteceu no último sábado (3).
Segundo o cliente, que preferiu não se identificar, ele já havia consumido parte da refeição quando percebeu uma pequena barata, conhecida popularmente como “barata francesinha”, dentro do prato.
Após encontrar o inseto, ele procurou a gerência do estabelecimento, que, segundo o relato, realizou o ressarcimento do valor pago pelo almoço. Pouco tempo depois, porém, o cliente começou a apresentar mal-estar e precisou procurar atendimento médico no Hospital de Emergência do Agreste.
De acordo com o paciente, durante o atendimento, ele foi diagnosticado com infecção exógena e permaneceu por mais de seis horas em observação e recebendo medicação.
“Fiquei muito desidratado, tomei muita medicação e fiquei mais de seis horas na U.E. Agora ainda vou estar tomando a medicação que o médico passou. São oito dias com antibiótico e depois vou ter que fazer outros exames para ver como está meu estômago e tudo”, relatou.
Ainda segundo o cliente, ele apresentou sintomas intensos, incluindo alteração na coloração dos lábios e dos olhos, que teriam ficado arroxeados.
Cliente relata possível relação com dedetização
Ao procurar a gerência do restaurante, o cliente afirma ter sido informado de que os estabelecimentos da Praça de Alimentação estariam enfrentando problemas relacionados à presença de baratas.
Conforme o relato, os restaurantes teriam passado por um procedimento de dedetização na noite anterior ao episódio. A justificativa apresentada pela gerência, segundo o cliente, seria de que a aplicação dos produtos poderia ter provocado a saída dos insetos de seus esconderijos, fazendo com que eles aparecessem em outros locais.
A informação, no entanto, ainda precisa ser confirmada e apurada pelos órgãos responsáveis.
Entre os produtos que teriam sido utilizados no procedimento de controle de pragas estão Cymperator 25CE, K-Othrine 2P, Gol Gel, Ratol Bloco, Ratol Pó de Contato, Demand 2,5 CS e Formifim Gel. A presença desses produtos no local, bem como a forma, quantidade e condições em que teriam sido utilizados, deverá ser verificada tecnicamente pelas autoridades competentes.
Além da possibilidade de contato com produtos utilizados na dedetização, existe também a preocupação com uma eventual contaminação decorrente do consumo de alimentos que tenham tido contato com o inseto ou com seus resíduos. Segundo o denunciante, essa possibilidade teria sido mencionada durante o atendimento médico, uma vez que ele só percebeu a barata depois de ter consumido quase metade da refeição.
“Encontrei o inseto na comida e, ao passar mal, notei o que poderia ter sido. Mas muitas pessoas podem ter comido lá, passado mal e nem saber o que causou”, afirmou.
Denúncia foi registrada na Vigilância Sanitária
Preocupado com a possibilidade de outros consumidores terem sido expostos a condições semelhantes, o cliente decidiu formalizar uma denúncia junto à Vigilância Sanitária de Arapiraca.
A denúncia foi registrada na última segunda-feira (5) contra o restaurante e o shopping. Segundo informações repassadas ao denunciante, o órgão deverá realizar uma vistoria no local para verificar as condições sanitárias do estabelecimento e apurar as circunstâncias relacionadas à presença de insetos e ao procedimento de dedetização.
“Não é só pela minha pessoa. São pessoas, são famílias que estavam se alimentando ali e vêm se alimentando e não sabem como está sendo tratado isso no shopping”, afirmou.
Shopping ainda não se manifestou
A reportagem do Portal Já É Notícia procurou o setor de Marketing do Partage Shopping, por meio do telefone disponibilizado, com final 091, além do gerente do estabelecimento, Guilherme Dantas, para solicitar esclarecimentos sobre o caso.
Até o fechamento desta reportagem, porém, não houve resposta aos contatos realizados.
O caso deverá ser acompanhado pela Vigilância Sanitária, que poderá verificar as condições do estabelecimento, os procedimentos de controle de pragas realizados no local e eventual relação entre a dedetização e os fatos relatados pelo consumidor.
As circunstâncias da suposta intoxicação e sua eventual relação com a refeição consumida ou com os produtos utilizados no controle de pragas ainda dependem de apuração técnica e das conclusões dos órgãos competentes.





