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Da escola para a telinha: servidora da rede estadual de Educação integra elenco da série “Cangaço Novo”

Após o sucesso de “O Agente Secreto”, a atriz e servidora da rede estadual de Alagoas Ane Oliva volta a brilhar em outra produção de destaque do audiovisual brasileiro: ela integra o elenco da série “Cangaço Novo”, produção exibida pelo Prime Video cuja segunda temporada foi lançada no último dia 24.

Com mais de três décadas dedicadas ao teatro e uma caminhada consistente no cinema e no audiovisual, Ane é servidora da rede estadual de ensino há 15 anos e atua como secretária escolar da Escola Estadual Romeu de Avelar, em Maceió. Agora, soma ao seu currículo mais uma produção de destaque.

Convite para a série

O caminho até a série começou ainda antes da pandemia, em um processo que seguiu os moldes tradicionais do audiovisual. À época, Ana foi convidada para realizar um teste, sem saber exatamente para qual produção estava sendo avaliada. Meses depois, com a paralisação das atividades por conta da Covid-19, o projeto foi interrompido. Quando as gravações começaram a ser retomadas, o contato foi refeito e novos testes foram solicitados.

Ao relembrar esse percurso, ela situa o momento inicial e o cenário de incertezas que marcou o período: “Fui contactada por um produtor de elenco no final de 2019, início de 2020, e me pediram uma self-tape. Eu não sabia qual era a série, só sabia que era do Prime Vídeo. Logo depois, veio a pandemia e a produção foi suspensa”.

Com a retomada, vieram novas oportunidades dentro do mesmo projeto. Ane participou de testes para diferentes personagens até chegar ao papel que viria a interpretar.

“Fiz testes para algumas personagens do Cangaço Novo. Primeiro para a Zeza, depois para a Leilane, também para uma participação de Maria Bonita e, por fim, para a Valdetário Vaqueiro, que foi a personagem com a qual fiquei”, relata.

 

Papel estratégico

 

Na série, sua personagem ocupa um lugar essencial na construção da narrativa. Valdetário Vaqueiro é a mãe dos três protagonistas e aparece em cenas que resgatam o passado da família, especialmente os acontecimentos que desencadeiam a trama. A presença da personagem se dá em momentos específicos, carregados de memória e emoção.

“Eu faço a mãe dos protagonistas. É uma personagem que aparece nas memórias deles, principalmente quando a história revisita o passado da família. São cenas muito fortes, que falam dessa origem e dessa tragédia que marca a vida deles “, conta.

Essa característica faz com que sua participação atravesse diferentes momentos da série, mesmo sem estar presente de forma contínua em todos os episódios. A atriz vê nisso uma possibilidade narrativa interessante, que amplia o alcance da personagem ao longo da obra. A experiência em “Cangaço Novo” também representa um marco pessoal. Apesar da longa trajetória no cinema, essa foi sua primeira participação em uma série. Inserida em uma produção de grande escala, Ane teve contato com uma dinâmica diferente de trabalho e com uma estrutura mais ampla.

 

Carreira artística e trabalho na Educação

A conciliação entre a carreira artística e o trabalho como servidora pública é parte fundamental dessa trajetória. Longe de ser um obstáculo, essa dupla jornada foi sendo organizada ao longo dos anos com planejamento e adaptação.

Durante as gravações de Cangaço Novo, essa logística se intensificou. As filmagens aconteceram, em grande parte, na cidade de Cabaceiras, na Paraíba, o que exigiu deslocamentos constantes. A rotina passou a ser marcada por idas e vindas entre estados, equilibrando compromissos profissionais distintos.

“Eu ia para Cabaceiras, gravava e voltava para Maceió. Retomava o trabalho na escola e, quando tinha novas diárias, voltava novamente. Ficava nessa ponte entre Paraíba e Alagoas, sempre conciliando as duas coisas”, explica.

A estreia da segunda temporada foi vivida de forma intensa pela atriz, especialmente durante a pré-estreia, realizada em Cabaceiras, na Paraíba, cidade que serviu de cenário para grande parte das gravações. O evento transformou a praça central em um ponto de encontro entre elenco, equipe e moradores, muitos deles envolvidos diretamente na construção da série desde o início das filmagens. O clima, segundo Ane, era de celebração e pertencimento.

Ao relembrar a noite, ela destaca a dimensão do momento e a força da participação popular: “Foram quase três mil pessoas na praça. Ver aquilo acontecendo na cidade onde tudo foi gravado, com a comunidade participando, foi muito significativo”. disse.

Entre a rotina da escola pública e os sets de gravação, Ane Oliva segue costurando uma trajetória que atravessa diferentes espaços, sem romper com nenhum deles. A Educação continua sendo ponto de partida e permanência; o audiovisual, por sua vez, amplia caminhos e projeta sua história para novos públicos, mantendo viva uma atuação construída com tempo, disciplina e entrega.

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