Um exame de DNA realizado pelo Laboratório de Genética Forense da Polícia Científica de Alagoas apontou forte compatibilidade entre o perfil genético do tio-avô acusado de estuprar e matar Peterson Ykaro Gomes Cardoso, de 6 anos, e o material biológico encontrado em amostras relacionadas à investigação.
De acordo com o laudo pericial, a análise estatística indica que é 2,67 bilhões de vezes mais provável que a mistura de perfis genéticos identificada na amostra seja formada pelos perfis da vítima e do acusado do que pela vítima e por um segundo indivíduo desconhecido, escolhido aleatoriamente na população brasileira.
O resultado reforça, do ponto de vista científico, a suspeita de que o menino foi vítima de violência sexual antes de ser morto.
Peterson foi encontrado morto no dia 6 de julho, no bairro Cidade Universitária, na parte alta de Maceió. O caso é investigado pela Delegacia de Combate aos Crimes contra a Criança e ao Adolescente (DCCCA), sob responsabilidade da delegada Talita Aquino.
Material genético foi comparado com amostras da vítima e do acusado
Para realizar o exame, o perito criminal analisou amostras biológicas de referência e materiais questionados relacionados ao caso. Entre os materiais utilizados estavam a amostra genética da vítima e uma amostra de referência do acusado, coletada por um perito criminal enquanto ele estava preso na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Segundo o perito Omena, as amostras questionadas apresentaram um perfil genético masculino compatível com o do acusado.
“O exame identificou nas amostras questionadas um perfil genético masculino compatível com o perfil do acusado. O resultado, associado às análises estatísticas, fornece um importante elemento científico para a investigação”, afirmou.
A análise genética passa a integrar o conjunto de elementos reunidos durante a investigação e deverá ser anexada ao processo judicial.
Novo reagente foi utilizado no exame
Um dos diferenciais da perícia foi a utilização de um novo reagente pelo Laboratório de Genética Forense. A substância é empregada na separação de células espermáticas e não espermáticas, permitindo uma análise mais específica dos diferentes componentes celulares presentes em uma mesma amostra.
Segundo a chefe do laboratório, perita criminal Bárbara Fonseca, a técnica possibilita direcionar melhor a análise do material coletado e aumentar a capacidade de obtenção de perfis genéticos em investigações envolvendo crimes sexuais.
A metodologia é especialmente relevante em situações nas quais uma mesma amostra contém material biológico de mais de uma pessoa.
“A utilização do novo reagente representa um avanço no trabalho desenvolvido pelo Laboratório de Genética Forense e reforça a importância da aplicação de novas metodologias para a produção de provas científicas cada vez mais precisas”, explicou Bárbara Fonseca.
Acusado responde por estupro de vulnerável e homicídio qualificado
O tio-avô foi denunciado pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) pelos crimes de estupro de vulnerável e homicídio qualificado.
Segundo a acusação, o homicídio teria sido cometido por asfixia, com o objetivo de ocultar o crime sexual e de dificultar a defesa da vítima.
Com a conclusão do exame, o laudo produzido pelo Laboratório de Genética Forense foi encaminhado à autoridade policial e deverá ser incorporado aos autos do processo.
A investigação continua sob responsabilidade da DCCCA, que reúne os elementos necessários para esclarecer as circunstâncias da morte de Peterson e subsidiar o processo judicial.

