O Hospital do Coração Alagoano, situado em Maceió, alcançou a marca de 70 transplantes de órgãos sólidos realizados. O número representa um avanço na assistência de alta complexidade oferecida à população alagoana, e demonstra a importância de uma rede estadual estruturada para captação de órgãos, com o trabalho integrado entre as equipes hospitalares e os demais serviços que compõem a rede de transplantes em Alagoas.
O receptor de número 70º foi o paciente Laurenio Gomes dos Santos, de 66 anos, que sofria com Doença Hepática Crônica (DHC) e aguardava o órgão havia nove meses. A esposa, Joanice Santos, relatou que ele vinha fazendo tratamento no Hospital Universitário para a doença, mas, em janeiro, a médica informou sobre a necessidade do transplante e o cadastrou na lista de espera.
“Chegamos a imaginar que ele aguardaria muito tempo na fila, mas foi rápido, graças a Deus. Agora meu marido está bem. A equipe do Hospital do Coração Alagoano é muito boa, eu só tenho a agradecer a todos”, disse emocionada.
Do total de procedimentos realizados na unidade, 47 foram transplantes renais, 13 hepáticos e 10 cardíacos. A marca foi alcançada durante a realização do 13º transplante de fígado no hospital, simbolizando mais um passo na ampliação do acesso a procedimentos que podem transformar a vida de pessoas que aguardam por um órgão.
Para o diretor do Hospital do Coração Alagoano, Otoni Veríssimo, o resultado traduz o compromisso da instituição com a vida e com a assistência pública de qualidade. “Um hospital público, 100% SUS, da rede estadual. Isso só é possível graças ao compromisso social e ao compromisso com a vida de diversos profissionais e instituições”, destacou.
O gestor também ressaltou a participação de toda a rede envolvida no processo, desde os serviços que atuam na identificação de potenciais doadores e na captação de órgãos até as equipes especializadas responsáveis pelos procedimentos e pelo acompanhamento dos pacientes transplantados.
Uma rede que trabalha pela vida
A realização de um transplante exige uma sequência de etapas que envolve profissionais de diferentes áreas, protocolos rigorosos e instituições que atuam de forma coordenada. O processo começa com a identificação e a avaliação do potencial doador, passando, quando aplicável, pela confirmação da morte encefálica conforme os critérios médicos estabelecidos, pela autorização familiar e pela avaliação dos órgãos.
A Central de Transplantes coordena etapas fundamentais para viabilizar a doação e a destinação dos órgãos aos receptores compatíveis. Em Alagoas, essa rede envolve a Central de Transplantes, hospitais notificantes e equipes de captação, além das unidades responsáveis pela realização dos procedimentos e pelo acompanhamento dos pacientes. Cada etapa é indispensável para que a doação se concretize com segurança, responsabilidade e respeito aos envolvidos.
Carlos Humberto Bezerra, diretor médico do Hospital do Coração, explica que o transplante vai muito além do procedimento cirúrgico e depende de uma cadeia de responsabilidades médicas e multiprofissionais. “Para que ocorra um transplante, seja ele hepático, cardíaco ou renal, existe uma cadeia de acontecimentos. A autorização familiar, a avaliação do órgão e a organização da Central de Transplantes são etapas indispensáveis para esse processo”, explicou.
Segundo o médico, o hospital dispõe de equipes especializadas para a realização dos transplantes dos três tipos de órgãos sólidos. A atuação desses profissionais contempla não apenas a cirurgia, mas também os cuidados necessários para a continuidade da assistência aos pacientes. “Por isso, o transplante não é apenas o ato cirúrgico. É uma cadeia de responsabilidades médicas e multiprofissionais, na qual a ciência, a ética e a humanidade precisam caminhar juntas”, ressaltou Carlos Humberto Bezerra.
A solidariedade que transforma vidas
Por trás de cada transplante existe uma história de esperança, mas também de uma família que enfrenta a dor da perda de um ente querido. A decisão de autorizar a doação de órgãos pode oferecer uma nova oportunidade de vida a pessoas que aguardam por um transplante.
Otoni Veríssimo fez questão de reconhecer a importância desse gesto de solidariedade. “Queria deixar um abraço especial, um agradecimento especial à família do doador, que, no momento de maior dor, de maior angústia, se predispõe a doar um órgão para salvar outras vidas”, declarou. “O compromisso social do hospital é seguir salvando vidas”.

