Animais da espécie Didelphis albiventris, ou cassacos, como são mais conhecidos, têm aparecido com mais frequência no meio urbano. Apesar de serem considerados sinantrópicos, ou seja, animais silvestres que se adaptaram a viver próximo a humanos, nem sempre são bem-vindos. Isso ocorre devido à semelhança com ratos, o que faz com que eles sejam vítimas de maus-tratos. Para garantir o bem-estar desses animais, o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) faz um alerta sobre a importância que eles têm para a natureza e por que não devem ser atacados.
Segundo o sargento do Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), Evandro Costa, o resgate de cassacos é a maior demanda do BPA atualmente, pois as pessoas ainda têm muito medo desses animais. “Existe muita discriminação com os cassacos porque acham que eles são parecidos com ratos, e quase ninguém sabe da função deles na natureza. Eles são importantíssimos porque comem escorpiões, algumas cobras, fazem a limpeza desses animais que não são interessantes de se ter perto de casa”, disse.
“Eles são essenciais para a manutenção do ecossistema. São controladores de pragas. Além de escorpiões e cobras, também comem baratas. São animais que controlam essas populações e, caso sejam picados por cobras, sobrevivem ao veneno,” complementou a médica veterinária do IMA Ana Cecília Pires.
Embora sejam confundidos com ratos, os cassacos são marsupiais. Eles possuem uma bolsa onde a mãe carrega os filhotes e têm maior atividade durante a noite. Podem aparecer em casas, mas apenas para procurar alimentos, como frutas ou alguma comida deixada na cozinha, e nunca para atacar.
“Muitos desses animais chegam aqui agredidos por seres humanos. Só pelo fato de parecerem com ratos, as pessoas tentam matar esses animais. O cassaco só ataca em legítima defesa. Se ele se sentir ameaçado, vai mostrar os dentes, fazer uma carinha que muitas pessoas não gostam, mas não vai fazer absolutamente nada se você deixá-lo no cantinho dele,” esclareceu.
O que fazer ao encontrar um cassaco em casa?
Caso se depare com um cassaco em sua residência, é recomendado que o BPA seja acionado para efetuar o resgate desse animal, que será levado para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), que possui administração conjunta entre o IMA/AL e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), onde será examinado e, se possível, reintroduzido à natureza.
“Se for um filhote, ele não vai tentar morder, pois geralmente são mais mansos. Você pode colocá-lo em uma caixa com furinhos para que ele respire e trazer aqui no Centro de Triagem. Mas se for um adulto, que pode ser um pouco mais bravo, é aconselhável tentar deixá-lo em um canto mais reservado até conseguir acionar o BPA para o resgate,” explicou.
É necessário lembrar que maltratar animais, tentar matar ou molestá-los de qualquer forma é crime ambiental contra a fauna, e a pessoa pode ser punida com seis meses a um ano de reclusão e multa de R$ 500 por indivíduo.
Em casos de irregularidades ou para resgatar animais em perigo, a população pode ligar para o número 190 ou diretamente para o BPA, pelo número (82) 9 8833-5879.