O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) recebeu denúncias de motoristas de vans que estariam cobrando passagens e ameaçando eleitores durante o transporte intermunicipal neste domingo (25), dia de votação do segundo turno das Eleições 2026. Segundo os relatos, passageiros teriam sido ameaçados de serem deixados no meio do caminho caso se recusassem a pagar pelo deslocamento.
Diante das denúncias, a promotora de Justiça Micheline Tenório esteve no Terminal Rodoviário de Maceió para acompanhar a situação e verificar as condições de embarque dos eleitores que precisavam se deslocar para municípios do interior do estado.
De acordo com o Ministério Público, o transporte disponibilizado aos eleitores é gratuito para os passageiros, enquanto os responsáveis pelos veículos recebem pelo serviço. Dessa forma, a cobrança de valores durante o trajeto é irregular e pode configurar crime.
“É importante que os donos das vans fiquem cientes que eles estão praticando um crime e que isso não pode acontecer. Os passageiros que estão sendo ameaçados de serem deixados no meio do caminho ou cobrando passagem devem tirar foto das placas e fazer a denúncia ao MP Eleitoral. E não paguem em dinheiro vivo, paguem Pix para ficar comprovado o delito”, alertou Micheline Tenório.
Ministério Público orienta passageiros a denunciar irregularidades
O MPAL orienta que vítimas e testemunhas registrem informações que possam ajudar na identificação dos responsáveis, como a placa e o número do veículo, além do destino da viagem. As ocorrências devem ser encaminhadas aos canais oficiais de denúncia do Ministério Público Eleitoral.
A promotora também destacou a importância de comunicar os casos à Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Alagoas (Arsal). Segundo ela, as denúncias podem contribuir para a identificação dos envolvidos e impedir que responsáveis por possíveis irregularidades recebam os repasses do Estado referentes à prestação do serviço.
Passageiros enfrentam filas e demora para embarcar
Além das denúncias de cobrança indevida e ameaças, eleitores relataram dificuldades para conseguir transporte com destino a municípios do interior. Em algumas situações, o tempo de espera teria chegado a aproximadamente uma hora e meia.
Entre os destinos mencionados durante a fiscalização estavam São Miguel dos Campos, Teotônio Vilela e Penedo, localidades que registraram aumento na procura por veículos.
Segundo Micheline Tenório, apesar das dificuldades em determinadas linhas, o transporte estava funcionando. A Arsal iniciou o remanejamento de veículos de rotas com maior disponibilidade para atender os locais com maior concentração de passageiros.
“Atualmente, está tendo sim o transporte para os passageiros, mas não na quantidade necessária em algumas linhas. A Arsal está realocando veículos das linhas que têm mais transportes para os locais que estão com menos transporte. Então, as coisas estão fluindo normalmente”, afirmou a promotora.
Veículos são remanejados para reduzir filas
Durante a fiscalização no terminal, o Ministério Público acompanhou a organização do embarque e as providências adotadas para atender ao aumento da demanda. Conforme Micheline Tenório, quando a equipe chegou ao local, a situação já estava mais organizada após contatos entre os responsáveis pelo transporte e as entidades envolvidas na operação.
A diretora de transporte da entidade representativa do setor, Andresa Pedrosa, informou que as linhas estavam em funcionamento, mas que os trajetos mais longos e os destinos com maior procura enfrentavam maior pressão sobre a frota disponível.
Outro fator que dificulta a operação é o limite de passageiros permitido por veículo. Como não é autorizado o transporte de pessoas em pé, o atendimento depende da disponibilidade de vans e da realização de novas viagens.
Para reduzir as filas, veículos de municípios com maior oferta começaram a ser direcionados temporariamente para localidades com maior demanda. União dos Palmares, por exemplo, contava com 32 veículos, parte dos quais poderia ser remanejada para atender destinos como São Miguel dos Campos.
Ainda segundo Andresa Pedrosa, outros quatro veículos reservas estavam sendo enviados para reforçar o serviço. A expectativa era de que a chegada da frota adicional ajudasse a reduzir o tempo de espera para cerca de 40 minutos a uma hora, dependendo do movimento e da disponibilidade dos veículos.
Equipes são orientadas a informar passageiros
Durante a fiscalização, Micheline Tenório também recomendou que as equipes responsáveis pelo transporte circulassem pelas plataformas para manter os passageiros informados sobre os horários, a previsão de chegada das vans e eventuais alterações nas linhas.
A medida busca melhorar a organização do embarque, reduzir a insegurança dos eleitores e evitar que passageiros permaneçam por longos períodos sem informações sobre o deslocamento.
O Ministério Público reforçou que a gratuidade do transporte deve ser respeitada e que eventuais cobranças indevidas, ameaças ou outras irregularidades devem ser denunciadas aos órgãos competentes.





