Há sete meses, Joseildo dos Santos Silva, de 33 anos, chegou ao Hospital Metropolitano de Alagoas (HMA), em Maceió, em estado crítico. Sem documentos, desnutrido e enfrentando uma grave infecção pulmonar, ele carregava não apenas as marcas da doença, mas, também, a dura realidade de quem vive nas ruas, invisível para a sociedade.
Foi dentro do hospital que, além da assistência hospitalar, a história de Joseildo começou a mudar. Enquanto a equipe médica tratava a saúde dele, o Serviço Social do HMA deu início a uma missão: devolver ao paciente sua identidade e seus direitos.
“Ele nunca teve documentação. Para o sistema, ele simplesmente não existia. Além da luta pela recuperação da saúde, precisávamos garantir a ele algo essencial: o direito de ser reconhecido como cidadão”, explicou a coordenadora do Serviço Social do HMA, Rosemar Alexandre.
Por meio de uma articulação entre o hospital, a Casa de Direitos e o Instituto de Identificação, Joseildo finalmente recebeu sua Certidão de Nascimento e seu Registro Geral (RG). Ele ] nunca teve esses documentos ao longo da vida.
Além disso, a equipe conseguiu localizar os familiares dele, um passo fundamental para resgatar os laços que o tempo e as circunstâncias haviam rompido. “O próximo desafio será reconstruir esses vínculos e garantir que ele tenha uma rede de apoio fora do hospital”, destacou Rosemar Alexandre.
Emoção
Emocionado, Joseildo tentou colocar em palavras a transformação que está vivendo. “Nunca imaginei que alguém fosse se importar comigo assim. Agora tenho um nome, um documento… Tenho a chance de recomeçar”, disse, emocionado.
A história de Joseildo reflete o compromisso do HMA com uma assistência humanizada, que vai além do tratamento clínico, como ressalta Rosemar Alexandre. “O olhar do Serviço Social Hospitalar é crítico e acolhedor. Nosso papel é garantir que esses pacientes, muitas vezes esquecidos pela sociedade, sejam reconhecidos e tenham seus direitos assegurados. Porque saúde também é dignidade”, frisou a assistente social.