A Polícia Civil de Alagoas trabalha com a hipótese de que o jogador de futebol Micael Leandro da Silva, de 15 anos, não era o alvo dos disparos que resultaram em sua morte, na tarde do último sábado (1º), nas proximidades do Campo do Torrão, no bairro do Pontal da Barra, em Maceió. As investigações apontam, inicialmente, que os criminosos efetuaram os tiros contra um grupo de pessoas, sem escolher uma vítima específica. Até o momento, ninguém foi preso.
De acordo com os primeiros levantamentos da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Capital, não há indícios de que o adolescente tivesse qualquer envolvimento com atividades criminosas. O inquérito foi instaurado para esclarecer a dinâmica do crime, identificar os autores e descobrir quem seria o possível alvo da ação.
Segundo o delegado Ueslei Lima, responsável pelas investigações, as diligências começaram logo após a polícia ser informada sobre o homicídio.
“Desde que tomamos conhecimento do fato, a DHPP vem realizando todas as diligências cabíveis para esclarecer as circunstâncias do crime e identificar os responsáveis”, afirmou.
As equipes da Polícia Civil analisam imagens de câmeras de videomonitoramento, ouvem testemunhas e reúnem provas para reconstituir a sequência dos fatos. Parte das informações permanece sob sigilo para não comprometer o andamento da investigação.
Ataque ocorreu após partida de futebol
Conforme relato de testemunhas à Polícia Militar, Micael deixava o campo após participar de um torneio de futebol e seguia em direção a um ônibus quando dois homens chegaram em uma motocicleta. Um dos suspeitos efetuou diversos disparos contra o grupo e, em seguida, a dupla fugiu.
O adolescente foi socorrido e encaminhado ao Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu aos ferimentos.
Equipes da Unidade de Atendimento de Local de Crime 1 (UALC 1), coordenadas pelo delegado Ueslei Lima, realizaram os primeiros levantamentos periciais na área onde ocorreu o ataque.
Promessa do futebol
Natural de Maceió, Micael Leandro morava em São Paulo e havia retornado à capital alagoana para visitar os pais, que residem no bairro do Jacintinho.
Considerado uma das promessas do futebol de base, o jovem iniciou sua trajetória ainda na infância e conquistou títulos pelo CSA aos 13 anos. Posteriormente, passou pelas categorias de base do Retrô, de Pernambuco, e do São Paulo FC, onde conquistou a Copa Fictor Sub-15.
O atleta planejava retornar ao futebol pernambucano e mantinha conversas para integrar as categorias de base do Bahia.
Pai cobra justiça
Em entrevista à TV Pajuçara, o pai do adolescente, Marcos Antônio Leandro, afirmou que o filho tinha como único objetivo seguir carreira no futebol e reforçou que ele não possuía qualquer ligação com a criminalidade.
“O sonho dele era só jogar bola. Cortaram o sonho do meu filho”, lamentou.
Emocionado, Marcos Antônio criticou a violência que vitimou o filho em um ambiente frequentado por jovens atletas.
“Chegar na beira de um campo de futebol que só tem adolescentes que querem jogar bola e atirar no meio, sem saber quem é quem, e tirar a vida do meu filho”, disse.
O pai também pediu que os responsáveis sejam identificados e presos.
“A minha indignação é essa. Eu não quero riqueza, não quero nada; só peço que a Justiça seja feita e peguem quem matou meu filho”, declarou.
Investigação continua
A Polícia Civil segue realizando diligências para identificar os autores do homicídio e esclarecer a motivação do crime. Informações que possam contribuir com as investigações podem ser repassadas à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) ou ao Disque Denúncia, pelo telefone 181. A ligação é gratuita e o anonimato é garantido.





