Programa Bate Coração: agilidade e trabalho integrado no atendimento a infartos em Alagoas

Iniciativa registra mais de 630 atendimentos em 2025 e reforça a importância do tempo de resposta no tratamento do infarto

Por Neide Brandão / Ascom Hospital do Coração Alagoano

29/01/2026 -

19:32h

Nataly Lopes, Anderson Oliveira e Neide Brandão / Ascom Sesau

O Programa Bate Coração, coordenado pelo Hospital do Coração Alagoano,  vem se consolidando como uma das principais estratégias de enfrentamento ao infarto agudo do miocárdio (IAM) em Alagoas. O balanço de 2025 aponta avanços significativos na organização da rede, na agilidade do atendimento e no acesso ao tratamento especializado, fatores decisivos para salvar vidas.

Entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025, o programa contabilizou 631 casos atendidos, sendo 592 do tipo mais grave de infarto agudo do miocárdio, que exige intervenção imediata.

Agilidade no atendimento

Um dos principais indicadores monitorados pelo programa é o intervalo entre a chegada do paciente com dor torácica no hospital e a realização do primeiro eletrocardiograma (tempo porta-ECG), que apresentou média de 40 minutos, com 118 pacientes (24%) realizando o exame em até 10 minutos, etapa fundamental para o diagnóstico precoce do infarto.

O tempo porta-agulha, que mede o intervalo até a trombólise, teve média de 88 minutos, enquanto o tempo porta-balão, indicador essencial para os casos encaminhados à angioplastia, registrou média de 184 minutos.

Tratamentos realizados

Ao longo do período analisado, o Programa Bate Coração possibilitou 299 trombólises, correspondendo a 47,4% dos casos, e 244 angioplastias, o que representa 38,7% dos atendimentos. Os dados evidenciam a importância da articulação entre unidades de saúde, regulação estadual e hospitais de referência para garantir acesso oportuno às terapias de reperfusão.

O coordenador médico do programa, Carlos Humberto, destaca que cada indicador representa uma chance real de sobrevivência. “No infarto, tempo é músculo. Monitorar esses dados nos permite identificar avanços, corrigir rotas e qualificar ainda mais o atendimento, garantindo que o paciente chegue ao tratamento no menor tempo possível.”

Para Otoni Veríssimo, diretor do Hospital do Coração Alagoano, o balanço confirma o papel estratégico da unidade na assistência cardiovascular em Alagoas. “O Programa Bate Coração é um marco para a saúde pública do estado. Os números mostram o esforço permanente de fortalecer a rede, reduzir o tempo de resposta e ampliar o acesso ao tratamento adequado, salvando vidas todos os dias”, afirma.

Beneficiados

Além dos números, o Bate Coração é representado por histórias reais que evidenciam a importância da atuação integrada da rede de saúde. Um desses casos é o de Alderico Gomes dos Santos, morador de Delmiro Gouveia, no Sertão alagoano. Ele apresentou sintomas de infarto, teve o protocolo do programa acionado e foi regulado para atendimento especializado, recebendo assistência dentro do tempo adequado, fator decisivo para sua recuperação e boa evolução clínica.

 

Outro exemplo é o de Inácio Jorge Muniz, do município de Igreja Nova. Ele foi atendido inicialmente na UPA de Penedo, onde realizou a trombólise, procedimento fundamental para a desobstrução da artéria coronária. Em seguida, foi encaminhado ao Hospital Geral do Estado (HGE), onde passou por cateterismo cardíaco, dando continuidade ao tratamento especializado. A atuação coordenada entre as unidades garantiu rapidez no atendimento e reduziu o risco de complicações.