A conquista mostra o papel da extensão universitária na identificação e formação de jovens talentos da escola pública. “Estou muito feliz com o resultado, essa conquista é extremamente importante para mim, pois foi minha primeira medalha em uma Olimpíada Internacional representando o Brasil, o que a torna ainda mais gratificante!”, comemorou.
O evento foi realizado em Bucaramanga, na Colômbia, e reuniu estudantes de 16 países. A equipe brasileira terminou com quatro medalhas e o 4º lugar geral por equipes. Entre as medalhistas, três são representantes do Nordeste e Lília foi a única alagoana na competição.
Lília iniciou os estudos na rede municipal de ensino e atualmente cursa o 9º ano do Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Arapiraca. Além da dedicação à matemática e do apoio familiar, ela conta com muito incentivo de professores que reconheceram seu potencial desde cedo.
“Os programas de formação de jovens com altas habilidades do ensino básico que a Ufal mantém preparam uma nova e forte geração de profissionais que farão a diferença no futuro de nosso país. É preciso acreditar, apoiar e investir”, destacou o professor Krerley Oliveira, coordenador do NES.
As conquistas
A medalha internacional é mais um resultado de destaque na história da jovem matemática alagoana. No ano passado, Lília tornou-se a primeira estudante alagoana a conquistar duas medalhas de ouro consecutivas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), e duas medalhas de ouro consecutivas na Olimpíada Alagoana de Matemática (OAM), alcançando a maior pontuação do seu nível na competição estadual.
O desempenho dela garantiu uma vaga na equipe brasileira da PAGMO, após alcançar a terceira colocação em um processo seletivo nacional que reuniu 40 das melhores jovens matemáticas do país. Lília foi a primeira estudante alagoana a integrar a delegação brasileira nessa competição.
A preparação da estudante envolve uma rotina intensa de estudos, resolução de problemas e acompanhamento por professores especializados, incluindo o professor Messias Silva, que participa de sua formação matemática.
“Tive a oportunidade de viajar por diversas capitais brasileiras, recebendo treinamento intensivo. A conquista dessa colocação significa muito para mim, pois serve de inspiração para jovens que desejam alcançar Olimpíadas Internacionais de Matemática, e reforça o papel das meninas na Ciência. Agradeço ao Peti por todo o apoio que me ofereceu nessa trajetória, que foi essencial para essa conquista”, acrescentou Lília.
Além da alagoana, conquistaram medalhas as estudantes Letícia Dias Damasceno (CE), com o ouro; Júlia Barros Soares (PI), que recebeu medalha de prata e Marina Nogueira D’Emidio (SP), que também levou um bronze.
Extensão universitária que transforma oportunidades
A conquista de Lília também evidencia o impacto de iniciativas de extensão desenvolvidas pela Universidade Federal de Alagoas. O Novo Ensino Suplementar (NES) oferece formação complementar gratuita e de longo prazo a estudantes da educação básica, proporcionando contato com matemática avançada, programação, ciência de dados e outras áreas do conhecimento.
O Programa Especial de Treinamento Internacional (Peti) é um projeto de extensão da Ufal que conta com financiamento das fundações Carina e Polynera, por meio do Programa de Desenvolvimento da Matemática e suas Aplicações (Matipro), e com a parceria da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM).
O objetivo do Peti é identificar e desenvolver talentos matemáticos, especialmente entre estudantes da rede pública, oferecendo preparação acadêmica avançada para olimpíadas nacionais e internacionais, mentoria, acompanhamento psicossocial e oportunidades de formação com professores de alto nível.
Tanto o NES quanto o Peti foram fundados pelo professor Krerley Oliveira, do Instituto de Matemática da Ufal. Ao integrar os programas, Lília tem acesso a uma estrutura de formação que aproxima a universidade da educação básica e permite que estudantes de cidades do interior participem de atividades acadêmicas de excelência.
Essas iniciativas demonstram como investimentos em educação, extensão universitária e formação científica podem contribuir para o desenvolvimento de talentos em diferentes regiões do país.
Alagoas no cenário internacional da matemática
A PAGMO reúne estudantes de diferentes países das Américas e tem como um de seus principais objetivos incentivar a participação feminina nas competições matemáticas de alto nível.
A competição segue o formato das principais olimpíadas internacionais de matemática, com provas realizadas em dois dias e problemas que exigem criatividade, raciocínio lógico e domínio de conceitos matemáticos avançados.
“Para a Ufal, a conquista reforça a importância da extensão universitária como instrumento de transformação social, permitindo que o conhecimento produzido e compartilhado na universidade alcance estudantes ainda na educação básica”, disse Krerley, e acrescentou: “A história de Lília demonstra que o talento matemático não está restrito aos grandes centros urbanos. Ele também floresce em cidades do interior, quando encontra incentivo, orientação qualificada e oportunidades de desenvolvimento”.





