Pessoas ligadas ao sistema prisional podem ter participado de um possível “tribunal do crime” que teria decidido pelo sequestro e pela morte de Maria Vitória Cardoso, de 15 anos, em Maceió. A hipótese faz parte da investigação conduzida pela Polícia Civil e foi revelada pelo delegado Arthur César nesta terça-feira (18).
Maria Vitória foi encontrada morta em 1º de julho deste ano. Segundo a investigação, a adolescente foi colocada à força dentro de um carro e levada para a região de Belo Monte, no bairro do Jacintinho. No local, ela teria sido torturada antes de ser executada.
De acordo com o delegado, pessoas de dentro do presídio teriam participado da decisão sobre o destino da adolescente. Os nomes e as funções desses envolvidos, porém, ainda não foram divulgados.
“Pessoas de dentro do presídio participaram do julgamento da Vitória. Mas essas pessoas não vieram à tona, os nomes delas. A gente já indiciou quem a gente podia”, afirmou Arthur César.
Suspeita de envolvimento no sequestro
Entre os indiciados está uma mulher suspeita de participar diretamente do sequestro e de levar Maria Vitória até Belo Monte. Ela é ex-companheira de um homem conhecido como Binho e, conforme a Polícia Civil, havia acolhido a adolescente em casa antes do início dos conflitos que terminaram com a expulsão da vítima.
A investigação trabalha com a hipótese de que Maria Vitória tenha começado a retirar objetos da residência e passado a se relacionar com um primo da proprietária. Após os conflitos, a adolescente teria sido expulsa da casa e agredida pela mulher e por dois homens em via pública.
Um desses homens seria Binho, apontado pela polícia como ex-companheiro da mulher posteriormente presa por suspeita de envolvimento no sequestro e na morte de Vitória.
Investigação aponta possível dupla vingança
A morte de Maria Vitória pode estar relacionada a uma sequência de vinganças, segundo a linha investigativa da Polícia Civil.
Binho, de 31 anos, foi morto em 22 de abril, meses antes da execução da adolescente. O inquérito que apurou a morte dele já foi concluído e, segundo o delegado, aponta que dois suspeitos de participação no assassinato tinham ligação com Maria Vitória.
Um deles seria ex-companheiro da adolescente. O outro era chamado por ela de “pai”.
A Polícia Civil trabalha com a possibilidade de que a agressão sofrida por Vitória tenha provocado uma reação contra Binho e que a adolescente tenha participado da articulação para matar o homem.
Sequestro e execução
Depois da morte de Binho, Maria Vitória acabou sendo sequestrada e assassinada.
Segundo a investigação, a mulher presa teria segurado a adolescente pelos braços em plena rua, colocado a vítima dentro de um carro e seguido até Belo Monte. No local, Vitória teria sido torturada e posteriormente morta.
A ação foi registrada por câmeras de segurança. As imagens não foram divulgadas à imprensa e já estão sob posse da Justiça.
A Polícia Civil afirma ter avançado na identificação dos envolvidos. Além da mulher de 31 anos presa em julho, um homem da mesma idade foi detido em agosto e é apontado como segundo suspeito de participação no crime.
Linha do tempo do caso
- Após a agressão: a investigação levanta a hipótese de que Maria Vitória tenha buscado vingança contra Binho e participado da articulação para matar o homem.
- 22 de abril: Binho, de 31 anos, é assassinado em Maceió.
- 1º de julho: Maria Vitória é sequestrada e morta. O corpo é encontrado em uma área de descarte irregular de lixo no Jacintinho.
- 27 de julho: a ex-companheira de Binho, de 31 anos, é presa sob suspeita de envolvimento no sequestro e na morte da adolescente.
- 4 de agosto: um homem de 31 anos é preso no Jacintinho e apontado como segundo suspeito do crime.
A investigação continua para esclarecer a participação de cada envolvido e identificar quem, de dentro do sistema prisional, teria participado da suposta decisão que resultou na morte da adolescente.





