Detentos podem ter participado de decisão que levou à morte de adolescente em Maceió

Investigação da Polícia Civil aponta possível participação de detentos na decisão que teria determinado o sequestro e a execução de Maria Vitória Cardoso, de 15 anos, no Jacintinho

Por Redação

19/08/2026 -

09:59h

Pessoas ligadas ao sistema prisional podem ter participado de um possível “tribunal do crime” que teria decidido pelo sequestro e pela morte de Maria Vitória Cardoso, de 15 anos, em Maceió. A hipótese faz parte da investigação conduzida pela Polícia Civil e foi revelada pelo delegado Arthur César nesta terça-feira (18).

Maria Vitória foi encontrada morta em 1º de julho deste ano. Segundo a investigação, a adolescente foi colocada à força dentro de um carro e levada para a região de Belo Monte, no bairro do Jacintinho. No local, ela teria sido torturada antes de ser executada.

De acordo com o delegado, pessoas de dentro do presídio teriam participado da decisão sobre o destino da adolescente. Os nomes e as funções desses envolvidos, porém, ainda não foram divulgados.

“Pessoas de dentro do presídio participaram do julgamento da Vitória. Mas essas pessoas não vieram à tona, os nomes delas. A gente já indiciou quem a gente podia”, afirmou Arthur César.

Suspeita de envolvimento no sequestro

Entre os indiciados está uma mulher suspeita de participar diretamente do sequestro e de levar Maria Vitória até Belo Monte. Ela é ex-companheira de um homem conhecido como Binho e, conforme a Polícia Civil, havia acolhido a adolescente em casa antes do início dos conflitos que terminaram com a expulsão da vítima.

A investigação trabalha com a hipótese de que Maria Vitória tenha começado a retirar objetos da residência e passado a se relacionar com um primo da proprietária. Após os conflitos, a adolescente teria sido expulsa da casa e agredida pela mulher e por dois homens em via pública.

Um desses homens seria Binho, apontado pela polícia como ex-companheiro da mulher posteriormente presa por suspeita de envolvimento no sequestro e na morte de Vitória.

Investigação aponta possível dupla vingança

A morte de Maria Vitória pode estar relacionada a uma sequência de vinganças, segundo a linha investigativa da Polícia Civil.

Binho, de 31 anos, foi morto em 22 de abril, meses antes da execução da adolescente. O inquérito que apurou a morte dele já foi concluído e, segundo o delegado, aponta que dois suspeitos de participação no assassinato tinham ligação com Maria Vitória.

Um deles seria ex-companheiro da adolescente. O outro era chamado por ela de “pai”.

A Polícia Civil trabalha com a possibilidade de que a agressão sofrida por Vitória tenha provocado uma reação contra Binho e que a adolescente tenha participado da articulação para matar o homem.

Sequestro e execução

Depois da morte de Binho, Maria Vitória acabou sendo sequestrada e assassinada.

Segundo a investigação, a mulher presa teria segurado a adolescente pelos braços em plena rua, colocado a vítima dentro de um carro e seguido até Belo Monte. No local, Vitória teria sido torturada e posteriormente morta.

A ação foi registrada por câmeras de segurança. As imagens não foram divulgadas à imprensa e já estão sob posse da Justiça.

A Polícia Civil afirma ter avançado na identificação dos envolvidos. Além da mulher de 31 anos presa em julho, um homem da mesma idade foi detido em agosto e é apontado como segundo suspeito de participação no crime.

Linha do tempo do caso

  • Após a agressão: a investigação levanta a hipótese de que Maria Vitória tenha buscado vingança contra Binho e participado da articulação para matar o homem.
  • 22 de abril: Binho, de 31 anos, é assassinado em Maceió.
  • 1º de julho: Maria Vitória é sequestrada e morta. O corpo é encontrado em uma área de descarte irregular de lixo no Jacintinho.
  • 27 de julho: a ex-companheira de Binho, de 31 anos, é presa sob suspeita de envolvimento no sequestro e na morte da adolescente.
  • 4 de agosto: um homem de 31 anos é preso no Jacintinho e apontado como segundo suspeito do crime.

A investigação continua para esclarecer a participação de cada envolvido e identificar quem, de dentro do sistema prisional, teria participado da suposta decisão que resultou na morte da adolescente.